Anvisa de olho nos ‘remédios’ contra drogas

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Como sabemos, a dependência química é definida pela 10ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS), como um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após o uso repetido de determinada substância – que ser uma substância psicoativa específica (por exemplo, o fumo, o álcool ou a cocaína), a uma categoria de substâncias psicoativas (por exemplo, substâncias opiáceas) ou a um conjunto mais vasto de substâncias farmacologicamente diferentes.

O tipo de ajuda mais adequado para cada pessoa depende de suas características pessoais, da quantidade e padrão de uso de substâncias e se já apresenta problemas de ordem emocional, física ou interpessoal decorrentes desse uso.

A avaliação do paciente pode envolver diversos profissionais da saúde, como médicos clínicos e psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, assistentes sociais e enfermeiros. Quando diagnosticada, a dependência química deve contar com acompanhamento a médio-longo prazo para assegurar o sucesso do tratamento, que varia de acordo com a progressão e gravidade da doença.

Para muitos especialistas, a chave do avanço no tratamento de vícios em drogas está na compreensão dos caminhos percorridos pela dopamina no cérebro. A dopamina é o neurotransmissor da dependência. Ela é que dispara a sensação de prazer – seja a advinda da ingestão de um prato saboroso, seja a causada pelo uso de um entorpecente. Ao inalar cocaína, por exemplo, o usuário tem seu cérebro inundado de dopamina – daí a sensação de euforia que, em geral, a droga produz.

A partir desta descoberta, surgiu uma nova geração de medicamentos que, segundo seus fabricantes, muda as perspectivas no tratamento de dependentes químicos nos EUA. Remédios que aliviam a ânsia de consumir as drogas e vacinas para prevenir a dependência estão sendo testados como complemento aos programas tradicionais de reabilitação. Em geral, esses remédios atuam nos receptores opióides cerebrais, diminuindo a ânsia pela droga, um dos componentes da dependência química – e alguns já estão disponíveis no mercado, inclusive no Brasil.

Acontece que, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os compostos disponíveis não possuem identificação do fabricante, registro, notificação ou cadastro.

Por isso, a Agência determinou a imediata suspensão de diversos produtos contra dependência química. Quelanol, Spartequim, Renovy, Complexo EFX Blocker e Becalm são medicamentos que prometem combater os efeitos do álcool no organismo, controlar o desejo do consumo de substâncias psicoativas e bloquear o efeito de drogas como cocaína e crack.

Comercializados pela empresa EAB Brasil Diagnósticos Representação, os itens não possuem identificação do fabricante. Além disso, não há registro, notificação ou cadastro na Anvisa. Com a suspensão dos itens, a Anvisa determinou também a apreensão e inutilização dos produtos divulgados pelo site www.testardrogas.com.br.

A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), e tem validade imediata.

 

Fonte: Brasil Econômico/Portal IG