Dependentes trocam drogas pelo açúcar

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João Araújo tinha 21 anos e pesava 61 quilos quando deixou de consumir heroína e cocaína. Três anos depois, ainda estava livre das drogas, mas pesava 130 quilos. Ele atribuiu o ganho de peso aos alimentos calóricos que eram servidos no centro de reabilitação.

“Depois que fiquei sóbrio, continuei a comer essas coisas horríveis”, disse João, hoje com 29 anos e fundador de uma Comunidade Terapêutica, um centro de tratamento em São Paulo.

“Aprendi a estar sóbrio, mas não me cuidava em relação às outras coisas. Não sabia cozinhar nem fazer supermercado, porque nunca tinha feito isso.”

Sua história é semelhante às dos que estão em recuperação, pessoas que geralmente engordam muito na caminhada rumo ao bem-estar. A maioria dos programas de reabilitação não dá muita atenção à nutrição nem tem um programa adequado de controle de ansiedade, que é um dos principais fatores que faz as pessoas comerem demais.

Existem lugares onde o principal foco é apenas livrá-los da substância, e o resto se ajeitaria por si só.

Apesar de frutas, hortaliças e proteínas serem servidos nos centros de reabilitação, as dietas também incluíam equivocadamente açúcares refinados, refrigerantes, energéticos e petiscos açucarados, gordurosos ou com muito sal (os chamados “hiperpalatáveis”).

O açúcar foi considerado um substituto inofensivo para as drogas e para o álcool. Os Alcoólicos Anônimos pedem que os dependentes sempre tenham um doce.

Mas, apesar de os doces terem aliviado a “fissura” por drogas de algumas pessoas, muitas delas acabaram “transferindo o vício” para o açúcar.

“Uma vez livre das drogas, o cérebro sente falta das recompensas dos hiperpalatáveis”, pois liberam substâncias químicas que causam prazer.

Então a pessoa acaba por transferir o vício da cocaína, por exemplo, para os bolinhos de chocolate, entre outros.

Estudo publicado em 2013 no “The American Journal of Clinical Nutrition” mostrou que o açúcar estimula a “fissura”.

Outro estudo de 2013 constatou que, pelo menos em cobaias, biscoitos ativaram o núcleo accubens, o centro de recompensa ou prazer do cérebro, tanto quanto a cocaína e a morfina. Isso tem um efeito na psique e na autoestima do dependente.

Alguns têm recaídas porque estão muito desgostosos com a quantidade de peso que ganharam.

Não querem investir de 4 a 6 meses em dieta rigorosa e exercícios. Por isso consomem estimulantes, ou às vezes cocaína, para perder peso.

Com maior consciência dos efeitos do açúcar, algumas clínicas de reabilitação estão reformulando suas dietas. “Estamos substituindo as soluções ruins pelas saudáveis”.

Os pacientes plantam hortaliças e estão proibidos de consumirem açúcares processados, cafeína ou bebidas energéticas.

A maioria dos jovens não sabe como escolher os alimentos, para quem uma dieta apropriada pode desempenhar um papel vital, pois maximiza a recuperação de uma maneira sustentável e duradoura.

“Senhor, ensina-me a resolver as minhas ansiedades internas e a comer menos para compensar a ausência de drogas.”

 

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