Heroína: após anos esquecida, a droga voltou

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Derivada do ópio e sintetizada a partir da morfina pela primeira vez em laboratório, em 1898, a heroína chegou a ser considerada uma solução para a cura dos viciados em morfina. Mas, depois que se descobriu que ela é no mínimo três vezes mais poderosa que a própria morfina, sua fabricação foi proibida no mundo inteiro.

Como as outras drogas derivadas do ópio, a heroína age sobre os sistemas digestivo e nervoso central, onde os efeitos de torpor e tontura vêm associados, nos estágios iniciais, há um sentimento de leveza e euforia. Agindo como depressora do sistema nervoso central, alivia as sensações de dor e angústia. Segue-se um estado de letargia que pode durar horas. As primeiras doses podem provocar vômitos ou náuseas. Os sintomas desaparecem em pouco tempo, mas voltam com violência quando a droga deixa de ser consumida, porque o organismo se acostuma rapidamente a ela.

Nas décadas de 1960 e 1970, a heroína chegou a ser considerada uma praga em Nova York. Mas, após anos esquecida, ultrapassada por analgésicos cada vez mais poderosos, a droga voltou. E em níveis epidêmicos não só em Nova York, mas em todo o território dos Estados Unidos. De acordo com a Autoridade de Repressão às Drogas (DEA, na sigla em inglês), o consumo de heroína cresceu 79% no país entre 2007 e 2012, com 669 mil pessoas tendo admitido o uso da substância.

O primeiro motivo para o aumento do consumo é econômico: trata-se de uma alternativa barata e acessível a analgésicos controlados, elaborados de materiais sintéticos derivados do ópio. Num país onde o vício em analgésicos é grande, um frasco de medicamentos opiáceos prescritos contra dores fortes, como o Oxycontin ou o Vicodin, altamente viciantes e que exigem receita médica, pode chegar a custar US$ 140 (cerca de R$ 340). Nas ruas de Nova York, porém, uma dose de heroína pode ser comprada por míseros US$ 6 em papelotes com nomes exóticos tipo “Ás de Espadas” e “Ás de Copas” – como os encontrados na casa do ator.

Os dados mais recentes da Administração do Serviço de Saúde Mental e Abuso de Substâncias dos EUA mostram que em 2011 pelo menos 178 mil americanos usaram heroína pela primeira vez. Não se sabe, porém, quanto disso é fruto de uma contradição política: nos últimos anos, governos estaduais têm feito esforços para reduzir o abuso de medicamentos controlados, impondo mais restrições à compra. Mas já há quem acredite que essas medidas possam estar contribuindo para o aumento do consumo da droga pura.

Segundo Sharon Stancliff, diretora médica da ONG nova-iorquina Harm Reduction Coalition, “como as pessoas têm menos e menos acesso aos opiáceos prescritos, a heroína transformou-se na alternativa mais viável”.

Outras causas para entender a alta do consumo de heroína nos EUA são as produções recorde desta droga nos últimos anos no Afeganistão, o aumento da qualidade e a entrada da droga pela fronteira com o México – hoje o terceiro maior produtor do mundo atrás do já mencionado Afeganistão e Mianmar – e a expansão da atividade dos narcotraficantes..

E o comércio é organizado: em Nova York, por exemplo, não faltam serviços de entrega e fábricas altamente organizadas em áreas de classe média como Riverdale, no Bronx, e Fort Lee, em Nova Jersey. É a cidade de Nova York, berço de modismos e tendências, que serve como termômetro para as autoridades. Ali, as mortes provocadas pela substância aumentaram 84% entre 2010 e 2012, quando foram registrados 382 óbitos. A apreensão também aumentou: 67% nos últimos quatro anos. Em 2012, o escritório nova-iorquino da DEA apreendeu 144 quilos de heroína, quase 20% do total no país, no valor de cerca de US$ 43 milhões. A ação mais recente, na semana passada, levou à incineração de 13 quilos de heroína, com valor de US$ 8 milhões, no Bronx.

Mas não é só Nova York. No final de janeiro, vazou a informação de que pelo menos 22 pessoas morreram na região ocidental da Pensilvânia por consumir uma mistura de heroína com o remédio Fentanyl, um opiáceo utilizado para anestesia geral, uma combinação letal. Autoridades de estados como Ohio e Vermont também têm registrado aumentos preocupantes. Neste último, a situação é tão grave que dominou o discurso anual sobre o estado, feito no mês passado pelo governador Peter Shumlin. Segundo ele, o uso de heroína cresceu 250% em Vermont desde 2000, sendo 40% somente no ano passado.

 

Fonte: UOL Notícias

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