Internet tem mesmos efeitos que álcool e drogas

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Quando alguém diz “você é viciado em internet” a sua resposta é “pelo menos eu não bebo ou uso drogas”? Então é melhor começar a pensar em outro argumento. Cientistas chineses publicaram um estudo inédito feito a partir de exames de ressonância magnética que mostra os efeitos do cérebro em quem não consegue ficar off-line – e os resultados são surpreendentes.

A grande novidade é que o vício na rede foi comparado pela primeira vez com o abuso de outras coisas, como drogas e álcool. Algumas anormalidades no cérebro de quem é viciado em internet foram encontradas em comparação com pessoas em tratamento para parar de beber ou usar substâncias ilícitas, como maconha ou cocaína.

De acordo com o The Independent, fibras da substância branca (componente do nosso sistema nervoso) estavam sem o pareamento correto em processos emocionais como tomada de decisões, foco e cognição, que são prejudicados pelo vício. O estudo ainda sugere que a manutenção desse ponto do cérebro pode ser a chave para um tratamento, mas ainda não é possível explicar se as mudanças são causa ou consequência dos vícios.

Os voluntários foram 17 adolescentes que passam horas conectados, não conseguem controlar o horário e até perdem compromissos por conta do PC. O maior culpado pelo vício, segundo os cientistas, ainda são os videogames.

Os cientistas responsáveis pela pesquisa são chineses não à toa: De acordo com estimativas oficiais daquele país, existem cerca de 24 milhões de jovens viciados na rede no país, o que tem feito surgir um número crescente de clínicas de reabilitação para esses casos.

De acordo com Tao Ran, um psicólogo que administra um centro de reabilitação em Pequim para viciados em internet, cerca de 14% dos jovens do país sofrem desse mal.

— Eles apenas fazem duas coisas: dormem e jogam on-line — disse Tao ao site “The Independent”.

No ano passado, uma outra pesquisa, realizada pela Universidade de Maryland, localizada na cidade de College Park (EUA), revelou que vício em tecnologia é semelhante ao de drogas. Uma universitária norte-americana confessou que seu desejo de estar “online” poderia ser comparado às crises de abstinências de pessoas viciadas em crack.

Cada vez mais conectada, alcançando o total de 649 milhões de internautas em 2014, a China também vem enfrentando problemas decorrentes do uso obsessivo da rede. Um adolescente de 19 anos da cidade de Nantong, na província de Jiangsu, por exemplo, tomou uma medida drástica para enfrentar o seu vício na internet e cortou a sua própria mão, de acordo com o canal de TV local Jiangsu.

De acordo com a mãe do rapaz, ele teria ido para o seu quarto às 23h, antes de desaparecer. Ela então encontrou um bilhete escrito a mão em que o jovem afirmava que iria a um hospital, mas que retornaria para a casa de manhã.

Após retirar uma faca da cozinha, o rapaz teria escapado de casa e, depois, cortado a sua mão esquerda na altura do pulso. Depois, ele chamou um táxi para um hospital universitário local, onde cirurgiões teriam conseguido recolocar a sua mão, sem garantir que o jovem vá conseguir ter de volta a mobilidade plena do membro.

Segundo um dos professores do menino, que não foi identificado, a ação teria sido resultado do seu vício pela internet, que o teria tornado “impetuoso”.

De olho nesta trágica tendência, Xangai aprovou, em 2013, novas leis que exigem que os pais se responsabilizem para impedir o consumo de cigarros, álcool e o uso excessivo da internet e de jogos on-line pelos jovens.

Para o psicólogo Tao, menores de 18 anos deveriam ser proibidos de entrar em cafés com internet.

— Ouvi que o jovem arrancou a sua própria mão, mas temo que ele vá continuar viciado — afirmou.

 

Fontes: Tecmundo & O Globo

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