NBOMe é mais barato e mais tóxico que o LSD

Tempo de leitura: 2 minutos

O laudo do IML de São Paulo no corpo do estudante Victor Hugo Santos, achado na raia olímpica da USP três dias depois de desaparecer de uma festa no campus, apontou a presença da substância sintética NBOMe. A morte do jovem ocorreu sete meses depois de a Anvisa incluir 11 variações do na lista de drogas proibidas no Brasil.

Gatilho para alterações de percepção e vendido em pequenos papéis sublinguais, o NBOMe vem sendo comercializado como LSD. E, segundo o líder de um grupo que o estuda nos EUA, está se espalhando pelo mundo. Seus efeitos, no entanto, ainda são pouco conhecidos, e se sabe que o composto é mais barato e mais tóxico que o ácido lisérgico dietilamida, da qual se diferenciam também pelo gosto amargo e por dormência provocada na língua.

Farmacologista e químico David Nichols é um cientista que estudou a substância na Purdue University, em Indiana (EUA). Ele explica que os NBOMe, sintetizados pela primeira vez em 2003, ativam um receptor cerebral da serotonina chamado 5-HT2A. O professor afirma que, por ser potente e fabricada com materiais baratos, a droga é lucrativa para traficantes, por isso ganha o mundo “rapidamente”.

– Infelizmente, quase nada se sabe sobre sua ação no organismo. Este é um grande vácuo que precisa ser preenchido por estudos toxicológicos, mas até agora nada foi publicado – acrescenta Nichols. – Várias pessoas nos Estados Unidos morreram de overdose por NBOMe.

No Brasil, Fernando Beserra, professor de psicologia do Instituto Superior de Educação do Rio e membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos, tem se dedicado a estudar a substância. Ele argumenta que o composto tem mais riscos físicos que o LSD, cujos riscos são mais psicológicos. Para o psicólogo, outras recentes mortes de jovens – como a do intercambista alemão Jakob Steinmetz, morto semana passada em Ilha Solteira (SP) – podem estar relacionadas à droga.

– Com nosso modelo proibicionista e sem políticas de redução de danos, os usuários não dispõe de testes para identificar as substâncias. – critica.

 

Fonte: O Globo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *