Um elo forte na corrente contra as drogas

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Antes tido como o responsável por encaminhar os estudantes considerados “problema” a psicólogos, o orientador educacional ganhou uma nova função, perdeu o antigo e pejorativo rótulo de delegado e hoje trabalha para intermediar os conflitos escolares e ajudar os professores a lidar com alunos com dificuldade de aprendizagem.

Regulamentado por decreto federal, o cargo é desempenhado por um pedagogo especializado (nas redes públicas, sua presença é obrigatória de acordo com leis municipais e estaduais). Enquanto o coordenador pedagógico garante o cumprimento do planejamento e dá suporte formativo aos educadores, ele faz a ponte entre estudantes, docentes e pais.

Para ter sucesso, precisa construir uma relação de confiança que permita administrar os diferentes pontos de vista, ter a habilidade de negociar e prever ações. Do contrário, passa a se dedicar aos incêndios diários.

Recentemente, o orientador passou a atuar de forma a atender os estudantes levando em conta que eles estão inseridos em um contexto social, o que influencia o processo de aprendizagem. Tal mudança tem a ver com a influência de teóricos construtivistas, como Jean Piaget (1896-1980), Lev Vygostky (1896-1934) e Henri Wallon (1879-1962), nos projetos pedagógicos das escolas, cada vez mais pautados pela psicologia do desenvolvimento – o estudo científico das mudanças de comportamento relacionadas à idade durante a vida de uma pessoa.

Assim, o serviço de orientação educacional também passa a ter como objetivo atender ao princípio da formação integral da personalidade do educando e destina-se a todos os alunos, desenvolvendo um processo de aconselhamento junto aos alunos, abrangendo condutas, estudos e orientação para o trabalho em cooperação com educadores, família e comunidade, bem como assessorar os trabalhos dos conselhos de séries e de classe.

Tudo isso, porém, relevando as características e necessidades dos adolescentes, cujas particularidades de faixa etária passam por profundas transformações. Esse serviço, basicamente voltado ao aluno, tem por prioridade, as seguintes áreas de trabalho:

Orientação de Estudos e organização da atividade intelectual.

Orientação Sexual e desenvolvimento da sexualidade e suas relações socioafetivas.

Orientação Vocacional com ênfase no autoconhecimento e na escolha profissional como elemento essencial na busca do sentido da vida.

Orientação Familiar, para atendimento aos pais e melhoria na qualidade das relações familiares.

Orientação Psicopedagógica, para o desenvolvimento da autoestima, descoberta de valores, fortalecimento das relações humanas e defesa contra as drogas.

Neste caso, o das drogas, a base para o não ingresso dos jovens nesse mundo quase sempre sem volta está na família e na escola. No entanto, é a segunda que tem mais contato com o aluno, cabendo à instituição de ensino sempre que possível abrir momentos para discussões acerca do assunto, já que o tema não é de incumbência somente de determinadas disciplinas, mais sim de todas.

Diante desse fator o orientador educacional pode implantar atividades vinculadas ao tema. Muitos professores e também grande parte das direções pensam ou indagam sobre o conteúdo programático e o tempo gasto para concluí-los e que as pausas para as discussões sobre o tema podem prejudicar, esquecem que a palavra “educação” é bem mais abrangente, trata-se da formação do indivíduo como um todo de maneira que possa integrar a sociedade pronto para a vida. Se a função da escola é educar, por que não ensinar as nossas crianças, adolescentes e jovens sobre o risco que correm no uso de drogas?

Em suma, o problema é bastante complexo e requer a participação efetiva dos pais e dos professores com respaldo dos donos de escola, no caso particular, e do poder público nas instituições públicas, uma coisa é certa, a base para o problema está na educação. E o orientador educacional é o elo forte desta corrente.

 

Fonte: Equipe Brasil Escola, via Eduardo de Freitas – Graduado em Geografia