Pesquisa desvenda o mito do ‘barato’ das drogas

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Um estudo conduzido pelo neuropsicofarmacologista David Nutt e publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)analisou como o cérebro se comporta sob a influência de psilocibina, substância química alucinógena encontrada em cogumelos. O estudo tinha como objetivo ainda analisar o quão impactante podem ser as drogas lícitas e ilícitas em áreas específicas do cérebro.

O trabalho contou com 30 voluntários e todos eles receberam uma dose intravenosa de 2 mg de psilocibina, quantidade considerada moderada e que pode ser comparada a uma dose oral de 15 mg.

As regiões em azul na imagem que ilustra este artigo, acima, mostram as áreas que foram afetadas e que tiveram a sua atividade diminuída durante o efeito da substância. A pesquisa ajuda a desvendar um mito de que drogas do gênero “expandem” os limites da mente durante uma “viagem psicodélica”.

Na verdade, o que acontece é exatamente o oposto. A sensação percebida pelo usuário durante o efeito nada mais do que o impacto direto da substância agindo em determinadas regiões do cérebro, que têm as suas funções limitadas. Com áreas sendo restringidas cognitivamente, as demais tentam se adaptar e assumir funções que não são suas. O resultado é um funcionamento diferente e, por conta disso, perceptível de maneira distinta.

A mesma situação pode ser percebida durante o uso de outras drogas, embora em escalas e regiões diferentes. Testes realizados com consumidores de bebidas alcoólicas, cigarro e maconha comprovam que determinadas áreas se tornam menos ativas.

A sensação de alteração sensorial se dá justamente em razão da privação de algumas áreas e o consequente “auxílio” das áreas não afetadas. Em outras palavras, seu cérebro tenta se adaptar a uma situação anormal de funcionamento.

Déficit de atenção e perda de memória são características comuns a todos os usuários de drogas lícitas e ilícitas. O que acontece, em alguns casos, é que o uso excessivo faz com que o cérebro crie vínculos adaptados permanentes, substituindo a atividade de regiões afetadas pelo funcionamento parcial mantido por outras.

Obviamente, há uma perda no processo. Em outras palavras, seja qual for a droga em questão, o tão desejado efeito da “viagem” nada mais é, grosso modo, do que a privação de determinadas áreas do cérebro, o que a longo prazo pode provocar danos irreversíveis.

 

Fonte:  PNAS

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